Trabalho na cidade de São Paulo. Moro e voto em Guarulhos. Tudo muito parecido. Região metropolitana. Política de curto-prazo que mais parece propaganda. Consumidores demais. Cidadãos de menos. Mas agora decidi falar da cidade do Rio de Janeiro, da candidatura de Marcelo Freixo à prefeitura, do PSOL e de Outra Política.

FREIXO E PSOL

Confesso que acompanhava bem en passant a carreira política de Marcelo Freixo como deputado estadual na ALERJ. Bem, pelo menos até Julho deste ano, quando passei a olhar para a eleição da cidade do Rio de Janeiro com mais atenção. Rapidamente me identifiquei com o propósito e com a maneira do PSOL escrever outra história para a política brasileira. Política com P maiúsculo. E, apesar de não votar no Rio, decidi contribuir de alguma forma: divulguei, doei, curti, compartilhei, retuitei, torci, lutei…

Freixo não foi eleito. Nem para o segundo turno. Mas a campanha foi vitoriosa. Uniu a juventude, debateu e construiu Política. Tudo isso sem alianças espúrias. E sem financiamento do grande capital – o mesmo que aborrece, embrutece e paralisa. Resultado: quase um milhão de votos e a população de volta às ruas, consciente de seu presente para construir, como protagonista, outro futuro.

Do outro lado, a velha política representada por Eduardo Paes e uma coligação com nada mais, nada menos, dezenove partidos. Além da milionária campanha financiada por empreiteiras, bancos e outras grandes empresas. Eleito, agora resta a Paes lotear a prefeitura e providenciar as obscuras contrapartidas “naturais” de um sistema politico orientado pela lógica neoliberal.

AMANHÃ, VAI SER OUTRO DIA!

Há uma esperança. Acredito que essa nova perspectiva futura para a cidade do Rio de Janeiro, encoraje e anime todos nós para um outro dia. Lá na cidade maravilhosa, aqui em Guarulhos ou até mesmo na cinza e dura capital paulista.

Marcelo Freixo é jovem. E, junto com outros políticos do PSOL, veio para transformar.

 

PSOL GUARULHOS

Inspirado no PSOL e em Freixo, pesquisei e votei em Ederaldo Batista, candidato do partido à prefeitura de Guarulhos. Com muito orgulho, fiz parte de quase cinco mil pessoas que desejam construir Outra Política.

Agora chegou o momento de me aproximar do PSOL e contribuir de corpo e alma para uma nova perspectiva política. No fundo do meu coração eu sabia que um dia essa hora ia chegar.

“Nada deve parecer impossível de mudar”, poema de Berthold Brecht e tema da campanha de Marcelo Freixo:

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
NADA DEVE PARECER IMPOSSÍVEL DE MUDAR.

Essa semana comecei a ler VIVENDO NO FIM DOS TEMPOS, mais recente livro publicado no Brasil do filósofo esloveno Slavoj Zizek. E assim como EM DEFESA DAS CAUSAS PERDIDAS e PRIMEIRO COMO TRAGÉDIA, DEPOIS COMO FARSA, altamente recomendado.

Sou admirador da sua crítica, independência e energia. E por isso resolvi compartilhar o último parágrafo da Introdução:

Para quem se interessou em descobrir Zizek, uma dica: comece pelo texto Visão em Paralaxe, disponível no site da New Left Review, em .pdf e gratuito: http://www.newleftreview.org. Em seguida, aprofunde-se no livro – com o mesmo nome -, publicado em português pela Editora Boitempo.

Em Julho e Agosto deste ano (2011) assisti a duas conferências – e uma entrevista em vídeo – de grandes pensadores do nosso tempo. Mais do que intelectuais em suas áreas, pessoas de apuradíssimo senso crítico e dotadas de invejável otimismo no futuro da humanidade: Miguel Nicolelis, Edgar Morin e Zygmunt Bauman.

Agradeço a Natura pelos convites e parabenizo toda a equipe responsável pelo Fronteiras do Pensamento.

ENTREVISTA ZYGMUNT BAUMAN